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De repente sinto um aperto no peito. Um bem forte que parece que vai me corroer por dentro.

Antigamente eu engolia até que ele passasse, pois sou forte. “Sou forte!” O que realmente isso significa? Entendi que é uma frase que eu precisava contar para mim mesma. Um ruído do meu entorno. As aparências importam sim. Estar bem faz parte do cotidiano. Construir coisas incríveis também. Não tinha tempo para estar cansada. Para não ser produtiva. Para precisar de um pouco de amor. “Sou Independente” era o título que eu me dava internamente. Um título que realmente me trouxe a independência. Financeira. Estrutural. De negócio. O viver da minha arte. E também o viver a minha arte. Minha liberdade – de ser quem eu quisesse ser, ou mais importante do que isso – a liberdade de ser realmente quem sou. Mas um título que também construiu muros e pontes dentro de mim. Que me fez com que eu machucasse e me afastasse de pessoas. Ou às vezes simplesmente não permitisse que eu me aproximasse – de verdade. Um escudo através de um sorriso. Um escudo através da determinação. Um escudo através do construir algo com as minhas próprias mãos. Um escudo de conseguir fazer o que desejo.

Sim, eu fiz tudo isso – e faço ainda todos os dias.

Mas um escudo que também trouxe um vazio.

Um aperto.

Que hoje transborda em lágrimas, que escorrem simplesmente de dentro para fora. Que permitem eu sentir. Me sentir às vezes fraca, às vezes insegura, incapaz, cansada física –  e mentalmente, sentir saudade. Sentir. Não preciso sempre estar bem. Sempre ser forte. Ser sensível. Vulnerável. Batalhadora, forte, determinada, disciplinada. Racional e emocional. Ambiciosa e humilde. Tudo junto. Sempre! Calma Kalina, super heróis não existem. A perfeição não existe. São apenas projeções de um futuro, do nosso ego, do nosso self, do reconhecimento e medo ao mesmo tempo.

Sentir.

Encontro a liberdade aqui. Na compreensão de que não preciso carregar o mundo nas costas. De que posso sim me permitir descansar, desligar e simplesmente estar. Se não quero criar. Se não quero ticar todos os itens da lista do dia. Se depois do almoço eu simplesmente quiser deitar. Ou desabafar. Ou sair para caminhar.

O que exatamente não é relevante

O importante é o sentir – presente.

Neste momento apenas. A projeção do futuro não importa, o passado menos ainda.

Presente.

Um presente mesmo.

Tudo isso que construi até agora. Das horas, dedicação, determinação que coloquei até aqui. Tudo que fiz – sim com as minhas próprias mãos – até aqui. Todos aqueles que passaram pela minha vida. Tudo que alcancei. Tudo que sou.

Um presente que conquistei.

O meu presente.

Que preciso transbordar.

Palavras não são suficientes. A escrita não é suficiente. O desenho não é suficiente. Apenas preciso deixar fluir.  Uma pequena morte para vir mais vida. Deixar algumas coisas morrerem para outras nascerem. Pequenos ciclos de vida-morte-vida. Que escorrem. Escorrem de dentro para fora.  

Olá lágrimas – sejam bem vindas.

Vocês são o meu presente. De fechar alguns ciclos para que outros se abram. De apenas sentir. De me nutrir. Levantar. Permitir. Merecer.

Sempre!

São o meu brilho no olhar.

E vou fazer isso parte do meu cotidiano agora.

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