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Conversas do dia a dia sempre me fazem pensar. Pensar sobre as relações, sobre as conexões, sobre mim mesma e sobre onde estou na minha vida. Só o fato de expressar uma opinião ou um raciocínio, já me vejo reiterando tantas coisas. É um exercício consciente que faço de auto-observação. Como respondo a uma pergunta? Qual a primeira coisa que vem em mente? Qual o tom que respondo? E o que faz o meu coração nesse momento? Pulsa tranquilo ou acelerado?

E isso se aplica a inúmeras situações e conexões. Um processo de autoconhecimento constante para realmente sentir o que me movimenta e o que não tanto. Porquê para saber isso não precisamos pensar – e sim sentir. E o sentir vem apenas de dentro de nós, da nossa essência, do nosso coração.

E assim senti um dia desses. Em uma conversa entre um grupo estávamos falando de formas de trabalho. Trabalho corporativo, em multinacionais, em pequenas empresas, em novos negócios e negócios próprios. Tudo chama-se trabalho – e tudo é tão diferente. E tão igual ao mesmo tempo. O foco da conversa eram os momentos de uma pessoa que trabalha em uma grande empresa que envolve produção, fábrica e milhares de pessoas. E do outro lado eu – artista. Sim, artista. E logo a conversa foi para: ‘Kalina, que vida incrível que você está construindo para você não é? Tão mais tranquilo do que trabalhar em uma multinacional, do que ter horário para entrar e sair, ter horas extras, ter que dar satisfação para superiores. Você é sua própria chefe.’

O coração ficou um pouco acelerado, parei e pensei com calma antes de responder – algo na linha de: “Sim! Os meus dias são incríveis. Cada um é diferente do outro, é dinâmico, é criativo e tenho a possibilidade de conhecer espaços, pessoas e cidades tão diferentes. E isso tudo através de algo que vem de mim – da minha essência, do meu coração – a minha arte. É incrível mesmo! E sim, realmente sou minha própria chefe.” E aí dei um grande sorriso e brinquei: “Agora não sei se isso é realmente melhor do que ter outra pessoa como chefe!” E segui explicando o por quê deste sorriso e comentário.

Minha rotina existe – mas ela não existe. Realmente não tenho horários para entrar no trabalho, mas ao mesmo tempo, se eu não crio horários, o que acontece com o meu dia e minhas tarefas? Durante os meus dias, crio listas de prioridades e outras tarefas, faço o controle financeiro do que entra e do que sai, sou gestora de um lar e de uma empresa, pego meu carro e viajo, por quilômetros, vou e volto, leio, estudo, cozinho, faço exercícios e sim, crio! A minha arte. Seja lá em qual superfície. E no final do mês, o que entra na conta depende de mim – e apenas de mim. Alguns podem chamar isto de tranquilidade no trabalho – apenas pelo fato de eu trabalhar com aquilo que amo – mas eu chamo de vida. É sim a minha vida! E não existe a diferenciação de ir a um lugar para trabalhar ou o estar em casa. Não existe o “sair da rotina” em um dia onde você pode ir ao campo, enquanto está acostumado a sentar em um cubículo entre milhares de outras pessoas. Não existe o chefe, mas também não existe uma estrutura e uma organização pré-estabelecidas. Não existe um salário e uma segurança exata ao final do mês. Não existe um dia como o outro – e mesmo assim eles existem. Intensamente e plenamente. Crio uma rotina dentro destes dias sem rotina. É necessário, para que a vida seja assim, olhada como um todo. O alimento que escolho ingerir no meu café da manhã, será aquele que me dará energia e inspiração para o dia. A produtividade no dia depende do meu bem-estar físico e mental. A produtividade, junto com o foco, ditarão os resultados no final do mês. É preciso limites, pessoais e para os outros. Não existe o simples fato de “largar a caneta” e ir para casa. O trabalho está presente sempre – e o tempo todo. Ao trabalhar com o que amo, e um resultado daquilo que sou, o tempo todo estou atenta e ativa. Tudo são oportunidades, tudo são conexões, tudo são momentos e inspirações. Não para os outros, não para uma estrutura, mas para mim – e o impacto que eu desejo ter sobre o meu entorno.

Sim, sou minha própria chefe. E admito que isso é intenso. Não sou daquelas tranquilas. Isso exige  muita determinação e disciplina – e mais do que isso – muito amor, por o que faço, mas principalmente por mim – para sempre encontrar o melhor equilíbrio entre o estudar, inspirar, produzir e também descansar. Se trata sempre de uma relação de ganhar – e ganhar.

O coração ainda acelerado, falando com paixão. Sim, sou apaixonada pelo estilo de vida que escolho viver todos os dias. Mas estava acelerado também para tentar mostrar que existem perfis e perfis. Existem pessoas que gostam da estrutura, da segurança, de ter um chefe, e a segurança de um salário ao final do mês. E tudo bem. Respeito – e muito – mas eu logo percebi que isto não era para mim. Eu sou do outro tipo, que é seu próprio chefe – ou melhor – gosto de pensar que vivo a vida como um todo. Não existe separação. Sou o que sou e faço o que faço, pois é o que me movimenta e faz o meu coração pulsar mais forte. Não gosto de me pensar como chefe – nem agora de mim mesma, e nem das pessoas com quem trabalho. Acredito na soma, na troca, na parceria e no crescimento em conjunto. Um ajuda o outro. Um é uma mão para o outro. Um é parte do outro – quando não se trata apenas de mim. E por isso o coração pulsou novamente.

Ao final, todos me olharam por alguns segundos em silêncio. Acho que são poucos que realmente param para pensar na intensidade que é ser o dono do próprio negócio, ou do próprio nariz. Não “apenas” assim e sim, exige o mesmo – ou às vezes até mais do que estar em uma estrutura pré construída. Melhor ou pior? Não existe certo ou errado. Existem perspectivas. Existem perfis. E hoje posso dizer – sem pensar – que sou feliz por poder ser, plenamente, o perfil que quero ser.

E ai fico curiosa, e você, em qual perfil se encaixa?

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