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Você está escutando?

A sua respiração?

O sangue correndo pelas suas veias?

O seu corpo?

Ele fala, o tempo todo.

Se você fechar os seus olhos neste instante, você sente o pulsar do seu coração, a intensidade do seu respirar, o relaxamento ou tensão de cada membro. No plano mental e corporal. Cansaço ou energia. Ansiedade ou serenidade. Passado, presente e futuro. Tudo deixa marcas no corpo. Tudo que pensamos deixa marcas no corpo. Sim, as manifestações corporais – da matéria – são apenas reflexos da nossa mente. E vice-versa. A mente e o corpo. O corpo e a mente. São só um. Cada órgão, em seu bom funcionamento ou não, tem a associação a um comportamento, a um hábito, a um padrão de pensamentos. Basta escutarmos.

Você está escutando?

Eu aprendi a escutar, em grande parte da minha vida. Através da alimentação consciente criei um corpo saudável. Uma imunidade alta. Uma rotina de exercício que me deu força e consciência corporal. Por algum tempo o yoga – hoje a meditação que me trazem presença. E sempre a busca pelo autoconhecimento utilizando as mais variadas ferramentas. Mergulhos para dentro. Alguns mais profundos do que outros.

Este ano tive um destes grandes mergulhos. A quebra de crenças, novos posicionamentos, uma auto descoberta, a eliminação de ruídos externos. O encontro da minha verdadeira voz interna. O sentar sozinha na sala da minha casa e sentir um vazio. Tentei em muitos momentos mascarar isso. Sai. Viajei. Trabalhei – como nunca. Fugas e buscas externas por respostas que estavam escondidas dentro de mim. Sim, temos a tendência a achar que o mundo pode nos trazer este conforto. Mas a verdade é que se não encontramos ele dentro de nós primeiro, dificilmente o exterior pode somar positivamente. A tampa para as nossas questões não está no exterior, e sim lá dentro de nós. Basta escutarmos.

É fácil? Pode ser, mas também pode não ser. Aí entra a vontade e a determinação de realmente fazer estes mergulho, olhar para a sombra para então descobrir que existe um arco íris de cores e luzes pronto para transbordar. Asas gigantes prontas para voar.

Ok kaju, e o que aconteceu então com a sua saúde se você vem desenvolvendo essa força e consciência nos últimos tempos?

Eu passei do limite. Do meu próprio limite. Desde pequena me posiciono no mundo como forte e independente. Isto é incrível – e me leva para tantos lugares que quero sempre chegar. E ao mesmo tempo me traz uma grande dificuldade, de reconhecer que preciso de ajuda – ou também pedir ajuda. Tenho mania de resolver tudo sozinha – para depois afirmar para mim mesma que consigo. A verdade é que acaba sendo também uma busca por aprovação constante. Um controle que se torna uma prisão em muitas vezes. Este ano tive que encarar isto de frente. Há quase três anos comecei a ter sintomas de um desequilíbrio hormonal – pele e metabolismo principalmente se desregularam. Eu buscava respostas externas, mas a verdade é que demorei para encarar o fato de que eu estava infeliz. Estava em negação. Estava contando uma história para mim mesma. Estava presa em um ciclo, em um relacionamento que estava me intoxicando. Eu estava me intoxicando, com medos e frustrações. E achava que de alguma forma isso era normal. Que talvez eu merecesse aquilo. No final de 2017 comecei um mergulho profundo. Fiz uma faxina geral na minha vida. O que fica, o que não. O que está certo, o que não. O que precisa partir para abrir espaço para o novo. Terminei um relacionamento longo. Vendi oitenta por cento dos meus pertences. Mudei de casa, mudei de cidade, mudei de atitude. Foi o suficiente? Não, porquê nem tudo conseguimos fazer sozinhos.

Demorei para perceber isso. Fiz uma faxina de muita coisa. Me reencontrei. Reencontrei minha feminilidade, reencontrei minha espontaneidade. Mas algumas crenças permaneceram. Ainda estava usando armaduras e proteções. Não entreguei tudo ao universo. À fluidez. Estava me mantendo numa prisão interna, num controle que simplesmente não existe. Os sintomas se agravaram. Hormônios, pele, metabolismo, parei de menstruar, outros órgãos se fadigaram. Eu estava fadigada. Inchada. Sem forças – e continuava num ritmo insano. Desabei. O corpo gritou!

Assumi que precisava de ajuda. Encontrei um médico que se alinhava com a minha visão mais natural e holística do mundo. Fiz uma avaliação – física e psicossomática também. Sim, todas as manifestações do corpo vem da mente, e da mente, vem do corpo. Tudo está interligado.

O diagnóstico físico: o ovário direito com uma abertura – uma lesão – que desequilibrou os meus hormônios. Um ovário policístico seria a definição popular para isso. A abertura no ovário permitiu que bactérias – que habitam no nosso próprio corpo – atacaram a área danificada. Com o aumento da testosterona – hormônio masculino – vieram os sintomas como espinhas, quebra no ciclo menstrual, e um auto nível de stress corporal. Quanto mais exercício fazia, mais o corpo produzia cortisol (hormônio do stress), mais o ciclo se agravava. Com isso, o primeiro órgão a se fadigar foram os rins, responsáveis pela produção de hemáceas e também da limpeza e eliminação de toxinas e líquidos. Estava me intoxicando e não conseguia eliminar. Acordava com a cara inchada. Terminava o dia com pés e mãos inchadas. Com pesos nos joelhos. O fígado também não estava lá em seu melhor funcionamento, principalmente pelo meu já ser mais fraquinho, por conta de uma hepatite que tive aos seis meses de vida. Um ciclo repetitivo. O corpo gritou.

O diagnóstico psicossomático: a busca e luta por território. A crença de que precisava de permissão da minha família para fazer certas coisas. Para ser quem eu realmente sou. Um ciclo negativo e vicioso que estava dentro do meu relacionamento. Tendo que me posicionar o tempo todo. Me provar o tempo todo. E cansar disso. Ao invés de me posicionar, me conformei. Fugi. Mesmo presa dentro do ciclo. Nos dois casos fiz isso. No final do ano quebrei principalmente o ciclo do relacionamento, mas algumas feridas ainda permaneceram abertas. Na família, tentei fugir, mas tive que voltar, encarar e me posicionar. Me expressar. A testosterona e os rins estão ligados a isso. Características animais do masculino. Fazer xixi para demarcar território. Ser a figura forte e dominante dentro de um relacionamento. Deixei o meu feminino de lado. Ovários. Descarreguei neles.

O tratamento: Medicamentos naturais – de ervas e plantas – gotas e cápsulas – muitas delas. Uma desentoxicação. Para eliminar toxinas e bactérias que estavam atacando o meu corpo. Curar as lesões do ovário. Diminuir o ritmo de trabalho e de exercício físico, para tirar o corpo do nível altíssimo de stress que ele se encontrava. E paralelamente um trabalho psicossomático, como uma terapeuta que criou um método que une a física quântica, a hipnose, access, energias, antropologia. Um mix and match que me ajudou a perceber atitudes minhas. Me ajudou a quebrar crenças. A me posicionar. A me reconectar com o meu feminino. A união destes dois me trouxe mais consciência – e mais do que isso – a percepção. Que eu estava deixando de lado. Me perceber nas situações. Me perceber nas minhas próprias atitudes. Me posicionar. E ser carinhosa comigo mesma. Não me cobrar tanto – me permitir descansar. Me permitir. Apenas – a ser eu mesma. O tempo todo.

O resultado: dois meses de tratamento depois voltei ao médico. Sim, curei as “lesões” no meu ovário. Elas estão fechadas, e as bactérias eliminadas. Me sinto mais equilibrada, mais forte. Minha pele melhorou (ainda não 100%, mas ela vai melhorar), voltei a menstruar, desinchei. Aprendi a perceber mais o meu corpo. Enxaquecas – tão presentes durante minha vida toda – hoje sei que elas estão ligadas à rigidez. Comigo mesma. Quando ela começa a se manifestar. Escuto. Paro, diminuo o ritmo. O cansaço, sim ele existe. Sim é um aviso também. Na família, estou me posicionando diferente. O meu feminino, venho trabalhando e acreditando nele.

É um processo ainda de cura, é sim. Para que eu não caia no mesmo ciclo novamente. Mas o primeiro passo está dado. E o segundo, e o terceiro também. Passei e estou passando por um processo de expansão. E a sensação que tenho é que a cada dia que passa, deixo um pedaço de mim para trás. E busco não olhar para trás. O atrás não importa. O que importa é o que está na minha frente. Aqui e agora. Está leve ou está pesado virou meu medidor. Situações, trabalhos, pessoas. Para tudo. O que está leve flui. O que está pesado deve sair da minha frente. Todos os dias são incríveis? Nem sempre. Também tenho inseguranças. Questionamentos. Deixo algumas lágrimas escorrerem. Faço uma limpeza interna. E dou mais um passo, deixando mais um pedaço de mim para trás. E assim sigo, neste momento, nesta constante evolução e permissão de ser forte – sim – mas também de mostrar a minha vulnerabilidade. De me perceber. De me expressar. Da forma que eu sentir que devo na hora. Sentir.

Sentir.

Escutar.

Você está escutando?

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