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MEU CORPO MEU TEMPLO

Quando era adolescente não me achava bonita, pelo contrário, achava que tinha o nariz muito grande, queixo, olhos e peitos muito pequenos, e para completar tinha cabelo cacheado e era alta demais.

Para combater todos esses “problemas” vivia fazendo escova para controlar os cachos que voavam por todos os lados, me curvava para ficar da mesma altura das minhas amigas e, na época, amigos, pois eu também era mais  alta do que a maioria deles. Lembro que minha mãe chegou a me levar ao médico, acredito que preocupada se a filha seria alta demais.

O processo para que eu aprendesse a me aceitar foi lento, acho que no fundo eu sabia que não precisava ter o peito maior ou menor para ser feliz e me sentir bem com o meu corpo, mas me incomodava não fazer parte do padrão de beleza.

Quando tinha uns vinte anos, uma noite estava com um grupo de amigos, e começamos a perguntar para os meninos quem cada um achava mais bonita na turma, até que um amigo me disse que achava que eu tinha uma beleza fora do padrão, não querendo dizer que eu era a mais bonita, ele deixou esta parte bem clara, mas que eu era diferente.

Aquilo me incomodou, afinal, o que ele queria dizer com diferente? A frase dele permanece comigo até hoje, não sei se ele lembra, nunca mais falamos sobre o assunto, mas ao longo dos anos fui mudando a minha interpretação, até que ela deixou de me incomodar.

Deixei de pensar no padrão de perfeição, nos corpos esculturais que via na capa da Boa Forma ou nos rostos simétricos das modelos famosas, e passei a pensar em me conectar comigo mesma, com o meu corpo.

Larguei a academia que eu não suportava, nunca mais comprei uma Boa Forma, e passei a tomar decisões conscientes sobre a minha alimentação e o bem estar do meu corpo.

Decidi me dedicar a fazer exercícios que me trazem prazer: gosto de caminhar, pedalar e praticar yoga. Esteira não funciona, gosto de ter objetivos, andar sem sair do lugar logo me frustra.   

Me entender e aceitar me levou a me sentir bem no meu corpo, gosto de ter equilibrio e elasticidade, mais do que ter músculos perfeitamente torneados.

Acho muito chato perder horas alisando o cabelo, tenho horror de cirurgia, então meu nariz continua grande e assim permanecerá, meus olhos continuam a quase sumir sempre que abro um sorriso, meu peito depois de amamentar por 1 ano e 9 meses talvez ainda menor, mas gosto de mim assim, do jeito que nasci, com as minhas diferenças. E todos os dias lembro e agradeço pelo meu corpo, meu templo. Pelas pernas que tenho para caminhar, braços para segurar meu filho, e nariz para cheirar seu cangote.

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