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Sempre achei difícil falar ou escrever sobre mim. Na adolescência era vista como aquela pessoa meio fechada, introvertida, tímida, as vezes até ‘marrenta’ como muitos diziam.

Crescer em um ambiente internacional em São Paulo, me deixou exposta a constante mudanças. Amigos indo e vindo, às vezes ficando um ano, às vezes dois, antes de continuarem para o próximo país. Membros da família que moravam no exterior vinham nos visitar ou nós íamos visitá-los. Minha irmã mais velha (sou a mais nova de três), foi morar no exterior quando eu tinha apenas 12 anos de idade. A vida dela no exterior, com suas viagens, aventuras e constantemente conhecendo pessoas novas, me inspirava. Um dia queria saber como era viver daquela maneira. Um estilo de vida com contato direto com diferentes culturas e línguas.

Sonhava em abrir as asas e também partir um dia. E assim foi, pouco depois de terminar o colegial em São Paulo, decidi que os estudos continuariam na Suíça. A minha estadia no Brasil havia chegado ao fim. Era hora de deixar aquela vida para trás e ir em busca do novo.

Não vou mentir, o meu primeiro ano na Suíça foi o mais difícil que já vivenciei. País novo, cultura nova, pessoas novas… Por mais que nossa educação no Brasil tenha sido muito influenciada pela cultura suíça, as coisas são bem diferentes uma vez que você está no próprio país​ e construindo uma vida.(nota: não subestime caso você esteja considerando mudar para o exterior). Para mim, além das mudanças relacionadas ao país, foi também uma mudança pessoal muito grande. Deixei namorado e amigos para trás, comecei a morar sozinha e enfrentei situações desconhecidas, descobrindo e desvendando os arredores. O início não foi fácil, mas não me arrependo. Já faz oito anos e meio que saí do Brasil e quando olho para trás, olho com orgulho do que vivi e curiosidade por o que ainda está por vir. Estudei, trabalhei, morei nos Estados Unidos, namorei, conheci pessoas novas (interessantes, mas também algumas estranhas – faz parte), fiz novos amigos, vivenciei momentos incríveis, passei tempo na natureza, na cidade e principalmente viajando. Quanto mais o tempo passa, quanto mais eu experimento, mais vejo o quão pouco sei deste vasto mundo. A curiosidade de viver e continuar experienciando e explorando só aumenta com o passar dos anos.

No início da minha carreira tive que decidir que caminho seguir. As direções que pensava em tomar indicavam a psicologia ou jornalismo, mas logo fui desmotivada pelo meu entorno, ao dizerem que não eram carreiras que trariam recursos muito altos. Me senti pressionada e acabei optando por relações internacionais, onde poderia integrar pelo menos parte dos meus interesses. Depois dos estudos, trabalhei quase dois anos em um banco renomado, quando finalmente percebi que aquela vida não era para mim. Larguei o trabalho e a segurança que havia construído e parti por alguns meses para a Austrália e Nova Zelândia. Um momento de exploração e reconexão comigo mesma. E através de registros – pela fotografia – me conectei com os lugares que visitei. Quando retornei à Suíça decidi dar início a um mestrado. Como uma tentativa de continuar aperfeiçoando o meu conhecimento​ nos meus temas de interesse. Marketing! Essa foi a minha escolha. Entre estudos e trabalho, tive experiências diversas – momentos bons e ruins – e hoje me encontro aqui:

Mestrado concluído, um namoro de 5 anos terminado e vivendo meus últimos meses no meu trabalho atual como assistente de pesquisa. Mais um ciclo que se encerra. E o que vai acontecer daqui para frente? Ninguém sabe, mas estou animada, esperançosa e feliz por poder dividir um pouco com vocês sobre essa vida de mudanças constantes e descobrimentos sem fim, pois algo que percebi nesses anos é o quão afortunados somos de podermos mudar radicalmente as nossas vidas de um momento para o outro. Somos os donos das nossas decisões. Nós decidimos que caminho queremos seguir. E eu mais uma vez me vejo em frente a este vazio – de poder apenas seguir, para onde eu quiser – com a certeza de que o que me inspira são as pessoas, imagens e a mente. Até onde posso ir?

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