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(des)construindo o inhotim

decidimos explorar, observar e absorver o incrível Inhotim, localizado em Minas Gerais, no Brasil. Ao longo de todo o nosso percurso, utilizamos os jardins, galerias e obras de arte como panos de fundo para a nossa própria visão e criação. Uma forma desconstruir o contexto que estávamos inseridas, munidas das nossas próprias lentes, como o objetivo de, uma vez mais, mostrar uma nova perspectiva para as pessoas observarem e se colocarem em seus ambientes. Seja um café, um restaurante, uma rua ou uma galeria. As possibilidades são infinitas. Confira os movimentos e cliques que surgiram nesta nossa imersão de dois dias.

museu do inhotim / minas gerais, brasil / 2018

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O Inhotim vai muito além de um museu, de galerias e obras de arte. Para nós é sobre uma atmosfera, os jardins a experiência de estar em um lugar como esse.

A imagem acima foi tirada em um dos bancos no caminho entre duas galerias.

A imagem à direita foi tirada sobre um deck que saia de um dos banheiros do parque. Sim, no banheiro. Quando foi a última (ou talvez a primeira) vez que viu um potencial criativo nos lugares menos usuais?

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Acima e à direita, utilizamos o resultado de uma performance artística de Chris Burden – chamada “Beam Drop” (a queda da viga). Observamos que a maioria dos visitantes caminhava ao redor da obra, ou só dirigia nos carrinhos de golf em volta. Circular, mas nunca cruzar. O nosso primeiro instinto, sem nem comunicar em voz alta, foi caminhar através dela. Uma instalação tão imensa e impactante. Entramos, as duas, em silêncio e ali ficamos, observando as linhas que se criaram com o pano de fundo verde. Um constraste entre força e leveza. Entre a rigidez e a fluidez. O vendo que fluía entre as linhas para mover as nossas roupas e cabelos.

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Conforme nos aproximamos desta obra, o primeiro instinto foi perguntar ser era possível caminhar sobre ela. “Sim, apenas tirem os sapatos” foi a instrução que recebemos antes de pisar na obra chamada Piscina de Jorge Macchi. Mais uma vez observamos outros visitantes apenas caminhando em volta, registrando rapidamente a obra e seguindo em frente. Principalmente quando a chuva começou a cair. Para nós foi mais um momento único de observar a interação da obra com a natureza. A textura em baixo dos nossos pés, o alfabeto dos degraus se movendo com o movimento da água. As gotas de água criando um ritmo sobre a superfície. Os reflexos que se moviam. Ao invés de correr da chuva, resolvemos integrar todos os acontecimentos daquele momento.

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Acima: um clique de reflexos, perspectivas e alinhamentos de dentro da Galeria Adriana Varejão.

Ao lado: um clique de um momento de reflexo – e reflexão – espontâneo. No labirinto de Cristina Iglesias, no meio da floresta.

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Depois de dançar como se ninguém tivesse vendo (porquê realmente não tinha ninguém vendo. Mas, mesmo se tivesse…) dentro da instalação de Valeska Soares, saímos para observar o jogo de reflexos que o próprio edifício criava com o entorno.

Qual reflexo seu que você vê no espelho? Como você se expressa perante a ele?

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Entramos, observamos e interagimos com as diferentes camadas de uma das instalações dentro da Galeria Lago. Somos todos feitos de camadas. Família, amigos, caminhos, experiências, luzes e sombras. Você é consciente sobre as suas próprias camadas? Você se sente paralisado por algumas delas, ou se movimenta com leveza entre elas?

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As famosas paredes coloridas de Hélio Oiticica, para nós, se tornaram um cenário secundário. Porquê não ver as coisas com outra lente – mesmo se aquelas bem em frente já são incríveis? Muitos visitantes, mais uma vez, caminharam por fora, ou cruzaram de forma rápida por entre as paredes. Nós permanecemos por ali por mais de meia hora. E logo olhamos para o piso e decidimos explorar ele como textura, como contraste da natureza e do concreto colorido. Tudo no nosso entorno não precisa ser da forma que é mostrado para nós. Existem tantos níveis de realidade. Por quê não criar além destas camadas?

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Já estávamos caminhando há algum tempo por entre galerias e obras. A chuva já tinha chegado e partido. E decidimos fazer uma breve pausa, quase que inconscientemente. Encontramos a obra “Elevazione” de Giuseppe Penoni para ser o nosso pano de fundo. Em um primeiro momento pela simples localização. Amplitude e verde. Mas, ao deitarmos sob a obra em sí – uma árvore de muitas toneladas, feita em bronze, suspensa por outras árvores – reais – sentimos algo a mais. Uma energia calmante. E de repente fez sentido. O bronze/cobre um dos maiores condutores de energia e térmico, estava ali, em muitas toneladas, se tornando a conexão entre o céu e o solo. E ali no meio estávamos nós. Alguém mais sentiu isso?

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